PEDRO LUME, 15 ANOS, CD RIBEIRA BRAVA

O SONHO PROFISSIONAL QUE PRESERVA E UMA HISTÓRIA ONDE JOSÉ ANTÓNIO E CLÉSIO  SÃO ELEMENTOS FUNDAMENTAIS

Acima de tudo, Pedro Lume, iniciado do CD Ribeira Brava, chamou-nos a atenção pela importância que teve na sua equipa, cultivando uma competência e um papel/acção preponderante, elevando a qualidade do jogo e por inerência a produtividade da sua armada.

Pedro Lume, 15 anos, atleta do CD Ribeira Brava falou com a nossa reportagem e traçou-nos várias das suas ideias acerca dos mais variados assuntos.

Diz-nos que foi no GD Azinhaga que tudo começou, na altura chamava-se Laranjinhas e sempre com o mister José António de quem tece rasgados elogios. «Um grande treinador e que formou grandes craques como o Santiago Camacho ou a Inês Silva, Rodrigo, Leonardo e outros…»

Recorda esse tempo com um especial carinho, dizendo terem sido «momentos bastante bons. Diverti-me com responsabilidade e compromisso, respeitando a aprendizagem. Acho que saí bem formado, como bom jogador e bom ser humano».

Como disse, desde os 3 anos que estive com o José António, um grande treinador e que ajudou-me a lidar contra todos os contratempos. Para além de grande mister, um grande homem que ajudou-me muito e que sempre terei em grande consideração».

A odisseia do GD Azinhaga terminaria e Lume rumaria ao CD Nacional. «Fazia dupla com o Martim, tinha 11 anos, joguei sub 12 e sub 13 e depois fui dispensado, sem me darem qualquer argumento», nota.

O CF Andorinha seria a experiência seguinte, não foi muito tempo, «notei que a certa altura optaram mais pelos jogadores que eram da casa», surgindo a chance do actual CD Ribeira Brava. Refere ter sido grandemente acolhido, «fiz o primeiro treino e o Clésio (Côrte) disse
que me queria e… fiquei…!»

Mais à frente refere estar «há dois anos, venho progredindo desde a época passada. Tem sido muito bom mas para isso muito tem ajudado o treinador (Clésio Côrte). Temos também um bom clima no balneário e isso também é importante. Acabámos por fazer o terceiro lugar da Taça de Platina o que também demonstra que os nossos objectivos foram
conquistados com um trabalho árduo».

Voltando a pronunciar-se sobre Clésio, acrescenta que «acolheu-me bastante bem, mostrando-se muito disponível, sempre dedicado aos seus e sempre pronto a ajudar», rematando que «sempre que é preciso… tá lá. É bom para formar e bastante importante na evolução»,  esperando que «continue connosco…»

A BOA BOLA DO FAMALICÃO, OS GRANDES ELOGIOS A MIGUEL GOMES E O APREÇO ESPECIAL POR GUSTAVO SÁ E FROHOLDT

Lume prefere na Madeira o CD Nacional, no continente luso alinha com o FC Porto e no estrangeiro, sem ser fervoroso fan de um qualquer clube, diz que talvez o Paris Saint Germain anime um pouco mais devido ao facto de conter por ali alguns jogadores portugueses, sem desdenhar o Manchester United com a “representação” de Bruno Fernandes.

A um outro nível, por estas bandas nacionais, diz gostar do futebol praticado pelo Famalicão — «um futebol muito agressivo, equipa bem forte que esteve sempre bem com os grandes».

Nesta ilha diz gostar muito de ver Miguel Gomes: «é um privilégio vê-lo, sem sombra de dúvidas que é um jogador difícil de encontrar, tem muita força, um remate muito bom», juntando ainda uma outra componente acerca do jogador verde-rubro. «É um grande amigo e um grande colega de equipa», citando ainda um outro nome, o médio Leonardo que representa o CD Nacional. «Um jogador bastante dedicado, óptimo por exemplo na parte defensiva, distribuidor e também um bom colega».

Na vertente profissional diz não ter nenhum ídolo. Claro que o nome Cristiano Ronaldo “está lá” no lote dos melhores, avançando ainda que gosta de ver o também atacante Henrique Araújo, muito embora não o tenha visto jogar nos últimos tempos. Mesmo assim cita os nomes de Vitinha «muito elegante, joga de cabeça levantada, já sabendo o que vai fazer antes de ter a bola e sem falhar passes» e de Bruno Fernandes, apresentando «um recorde de assistências, fazendo muitos golos, um jogador ofensivo de que gosto muito»
Na Liga portuguesa enumera Froholdt como «o melhor. Incansável, dando tudo pela equipa» e o também médio famalicense Gustavo Sá. «É um grande médio, um jovem com 20 anos capitão na I Liga e da selecção sub 21 de Portugal».

GUARDIOLA E HENRIQUE “TOPO DE GAMA…!

Quando o assunto tem a ver com os treinadores a operar no continente ou no estrangeiro, Pedro Lume diz que o técnico de sonho será Pep Guardiola «com um jogo muito ligado aos médios» se bem que também goste muito de Luís Henrique «onde os médios também ligam todo o jogo. Passa muita coisa pela minha posição», esclarece.

O nome de José Mourinho, segundo o entrevistado, também tem o seu lugar. «Não perde gás, é muito exigente, puxando muito pelos jogadores. E pelo que se nota parece não deixar haver conflitos. A sua exigência é um bom contributo para os grandes objectivos da equipa e do clube».

SENTIMENTO VISCONDE PEDE CONTINUIDADE

«PODEMOS FAZER O QUE NUNCA FOI FEITO NO CLUBE: CHEGAR AOS NACIONAIS…»

Palavra de Lume: o futuro vestir-se-á de verde e branco. «Nem que seja convidado, garanto que fico», passando a explicar melhor a sua decisão. «É esse o meu sentimento e a minha vontade» como que a premiar a «evolução» registada. «Convite? A minha cabeça está direcionada a ficar no CD Ribeira Brava e ajudar o clube em tudo o que for preciso e nos seus objectivos».

O médio que se sente «bem» na condição de interior esquerdo – «distribuindo jogo, fazendo assistências e a ajudar a equipa a marcar golos» –, perspectiva-nos uma próxima época em que existe tudo para dar certo… «Vamos querer sempre vencer, jogando com muita raça, muita garra. Penso que temos condições para formar uma equipa bastante forte e aptos a alcançar coisas boas, juntando muita união».

Prosseguindo o seu raciocínio, junta a ideia de que «se dermos tudo o que está ao nosso alcance e temos competência para isso, podemos fazer o que nunca foi feito no clube. É difícil, mesmo muito complicado mas se dermos tudo no campo nos jogos e nos treinos, podemos chegar a um patamar elevado e atingir os nacionais». A páginas tantas insistimos com a pergunta acerca da possibilidade de um convite para jogar a uma escala nacional e aí já admitiu o cenário da mudança.

«Mexeria com a cabeça, seria uma experiência inovadora, única se calhar. Iria falar com o Clésio e com os meus pais… Se saísse seria sempre muito grato por tudo o que me deram e ajudaram a ser…»

UM LUGAR AO SOL NO FUTEBOL DE BRAÇO DADO COM A FISIOLOGIA

Aquele que um dia agarrou-se, como tantos outros jovens, ao sonho de poder vir a somar sucessos no futebol profissional, continua a trabalhar com muita dedicação em prol dos seus objectivos e que passam por pisar «palcos nacionais e internacionais», referindo estar «a trabalhar bastante por isso».

O facto de desenvolver a sua acção no CD Ribeira Brava e não num dos clubes de maiores dimensões da ilha, não o demove, recordando o exemplo de Luís que ali jogava e a passar diretamente para o Sporting CP e para as selecções nacionais.

Enquanto dá asas a tudo isso, simultaneamente, até porque são perfeitamente compatíveis, conserva bem vivo o estudo projectando também que o futuro lhe possa reservar uma outra condição: a de fisiologista, «ajudando a recuperação através do exercício físico».

Mudando a bússola para o presente e para o Mundial, Pedro Lume queria que Portugal o ganhasse, até porque «tinha a melhor geração», referindo, contudo que «a França é muito forte, tem um ataque muito bom e é, naturalmente, uma das mais favoritas».

E se é bom para falar desta grande manifestação, também o é para dar uma opinião sobre a bola na Madeira. «Nunca me dei mal no mundo do futebol regional. Temos boas coisas e outras que poderiam melhorar. A Associação de Futebol tem vindo a melhorar» acreditando que o futuro trará  um estado de saúde mais vincado, ainda mais recheado com duas equipas na I Liga.

COMPARTILHAR